quinta-feira, 13 de junho de 2013

Constância

Procurei as causas da dor. Parece que estamos todos sujos, que o concreto é poluição, mas
não como essência orgânica, é poluição porque é usada para nos trair, nos dominar
os muros são manchados de sangue, lá deixamos nossas histórias, mas o concreto é ao mesmo tempo tão efêmero que questionamos a necessidade de sua existência
da existência de muros enquanto barreiras, enquanto prisões. sem nem tentar derrubá-los, depois de preenchê-los
precisamos procurar
outros muros
como novas folhas
em branco
do grande livro efêmero da história
que é o tempo

O Mundo

Há muito tempo
que serpentes de fogo
saltam da terra
pra dentro do mar
ao pular da montanha
começam a voar

As coisas
devoram a si mesmas
Resta-nos observar
o caos agir
e a tudo engolir


Frequência

Parece que todas as tentativas sem respostas parecem estar vagando no vácuo até hoje
CICLICAMENTE
SEM CENÁRIO, REALIZAÇÃO OU IMAGEM VISÍVEIS 
Ando buscando sensações orgânicas traduzidas de maneira simples e reduzida, porém com ritmo, textura e timbre onde possamos ali reencontrar o canal que perdemos conexão a partir do momento que nascemos

Daquilo que nos é inerente ou talvez inerte

quando de si cabe em nós?

se tudo o que quero é me livrar do ego, por que sinto tanto medo? por que me fragilizo só de pensar que um dia eu poderei não ser mais tua? nem você mais meu?
e que, ao mesmo tempo, um lado dentro de mim pensa que não adianta
que eu sei que sou uma pessoa que se esforça 
muito embora as vezes por saber que sem o esforço 
cansamos fácil
mas nada nos pertence senão a própria consciência, corpo e espírito
e que as pessoas vem e vão
e quando elas precisam ir embora, elas vão. e você precisa aceitar
pois da mesma forma que você não quer que te possuam
não deve querer possuir ninguém
mas é o coração que me desracionaliza
diz que não devo suprimir
e que se estamos sentindo
é porque estamos vivos

Brisa

Quando as nuvens
espalham a luz
a sombra dissipa.
Precisamos do abstrato
pra amenizar os excessos
gosto do branco
como um réu confesso
mas sinto falta das cores
que tingem o céu.

E quando a chuva cai
peço humildemente
ao abrir os braços
que esse momento de graça
lave meu coração
sujo de medos.

desconstruformas

esperamos que venham
e digam-nos a verdade
porque no início criávamos símbolos
para unir coisas em comum
e hoje servem para nos separar
em infinitas espirais
de desentendimento simbólico
porque as pessoas hoje em dia tem
medo de discutir o divino
por causa da mesma presunção
de afirmação
que insistem estar corretas
mesmo quando para elas mesmas
soe um absurdo
e quanto nos custou na história
e nos custa até hoje

primeiro passo

preciso me lembrar
quantos anos?
como confundir um caboclo
desses que te conferem
que te domam
e eu poso pra foto
não me esqueço do moço
tenho um nó no pescoço
e páginas dobradas no coração

pára-raio
sem trevas
buscando luz

existem raízes doloridas no meu coração
sinfonias ocres
ele bate enferrujado
e surtos em tosses
estou doente e é contagioso
ao passo que tento pisar fora
a Babylon me persegue
e parece estar
com uma esfinge
pronta pra nos devorar